
SORTE INFERNAL
Data 05/04/2009 11:54:16 | Tópico: Poemas -> Amor
| Vagabundeando pelo asfalto da vida, a minha alma, maldigo a sorte ! que da esperança em voz ardida, lentamente lhe traz a morte. A chuva cai soprada por vento siberial As estrelas, hà muito meus olhos não beijam E no meio deste frio temporal, Meus pensamentos velejam E eis que derrepente, Um pensamento para longe parte, o lar marterno Onde exprimo todo o meu tormento, Dizendo, no meu coração, só existe Inverno ! No vento esta mensagem escrevo, queridos, Na ausência de ventura, por entre campos de trevo Vosso amado as quatro folhas procura. Também làgrimas eu choro Apagàdas por lenços frios E dos olhos eu as adoro, Correndo como rios Esta desventura me persegue Desde o colo de minha mãe ! E minha força não consegue Badila para o além ! Troquei-vos, pela escravidão e pelo frio ! E com voz serena vos digo, Que este é mais um desafio, E que vencer eu não consigo. Jesus ressuscitou, dizem, não sei, não vi ! Mas sou eu sim que transporto a cruz E libertàr-me ainda não consegui Trinta e cinco anos de penosa dor Com o espirito jà carcumido Pelo transporte de tão pesado andor ! Que nada tem de florido. Ser poeta é coisa séria ! E um desafio à morte, Todos morrem na miséria, Todos partem sem ter sorte Por isso, das sílabas não me ocupo Das sàbias letras sou esento Da rima me preocupo E dos meus poemas me contento Bocage, Brel, tantos outros. E Camões ? Suas mãos os entregaram ao destino Delas restàram canções, que em muitas vozes são tino ! Na poesia, eu os admiro, eu os aclamo, O Infortunio, foi sempre seu tema E eu por ter dois filhos que muito amo Tenho receio e termino aqui o meu poema.
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