
"Meu pseudónimo"
Data 03/04/2009 09:07:48 | Tópico: Prosas Poéticas
| Nefelibata me chamaram, Inserindo num contexto.
Logo com pompa e circunstância, Sem demora, Foi assumido por mim este epíteto, Pois até me pareceu poético.
Aceitando o desafio, Que tal designação me traria, Parti de novo, Levada pela vontade do meu coração, Que é o único que me move.
Partindo sem asas, Aceitando o mote que me deram, Voei a caminho da ideia do Paraíso, Que é uma daquelas que atrai gente como eu, Mas que a mim em particular, Me consola.
Sem qualquer subtileza, Com um travo a desafio, Passo a pente fino a vida, E cá estou de novo então, De asas ao vento, De cabeleira despenteada, Pendurada na vassourinha da bruxa, A quem peço emprestada.
Para que não fique o texto incompleto, Um pouco mais erudito, E não apenas tocado de leve pela graça, De modo mais explícito, Nefelibata, nubívago, É aquele que anda nas nuvens, E que ninguém agarra, Ainda que muito o queira.
Nefelibata, Assim me quero eu, Pois tenho deveras um pretexto, De poder dizer, Com voz ingénua, Desculpe,não ouvi, Não estava por aqui...
Vou de imediato para o céu, Num abrir e fechar de olhos, Por entre as nuvens e o sonho, Porque deste modo ninguém me apanha.
Isto de ganhar mais idade, Também nos traz alguma vantagem.
Uma, É poder dizer o que pensamos, Sem receio de cair em desgraça.
Outra, De forma mais restrita, É poder fingir que se é poeta, Pois a esses ninguém leva a sério, Disso, tenho a certeza. Apenas quando morrem, A alguns, erguem uma estátua, A outros, o seu nome ilustram, Num compêndio de leitura, Destinado à criançada.
Até mesmo assim, Deixem que vos convença, Só um poeta com verve o consegue.
Segura de meus propósitos, Não deixo cair em mãos alheias, Minhas congeminações e talentos, Apenas nas mãos dos anjos.
Beatriz, assim me chamo, Nefelibata, A partir de agora, Será pois, meus senhores, Levado muito a sério, Meu pseudónimo.
Beatriz Barroso
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