
O que vai no meu poema...
Data 30/05/2006 03:20:00 | Tópico: Poemas
| O que vai no meu poema...
O que vai no meu poema... Vai o meu pensamento O meu sonho Os sonhos que não tenho mais...
Vai minha vontade As vontades que tive Os desejos que se desfizeram Na iminência de existir Que ficaram por aí A esperar que os lembrasse novamente
Vai minha anulação As impossibilidades Certas agonias brutais Da qual não se pode escapar Mas que se resiste... Vai a dureza deglutida Por não se poder evitar. Vai ai minha lágrima Aquela que pensei derramar...
Vai a viagem que não fiz Vai a morte que desejei Vai a estrada onde fiquei Vai o sonho de ser feliz Vai a ilusão que tive um dia De que tudo pudesse se ajeitar... Meu sonho é um mar, Vai tudo que eu queria E mais quis o que não pude alcançar...
Vai o amor As coisas mais simples As coisas que me davam alguma alegria Coisas tão básicas Tão estranhas de se amar
Vai tudo no meu poema Ele é carregado, avesso à tradução, Tem sempre algo por trás Sempre há um sentido a mais...
Vai o gesto que não fiz As coisas que não pude ser As decepções que causei Sem nem mesmo saber As dores que provoquei Em quem nunca vou conhecer...
Vai meu perdão distorcido A minha raiva que nunca cessou Diante das coisas horríveis Que arquitetaram para mim Que me atingiram o rosto... Cada golpe que não cicatrizou Vai no meu poema, Vai no meu poema A reação que nunca começou...
Vai no meu poema A mão que nunca se lançou A me afagar num momento doído Uma palavra que ninguém me falou Vai o silêncio sempre ouvido Nas noites que ninguém imaginou Mas que sempre existiram, Sempre meu ser se desencontrou, Por razões que não entendo Por razões que nunca ninguém explicou.
Vai no meu poema amigos, Poucos que amealhei Com meu jeito meio tosco, Vivendo a vida que encontrei, Que inventei com esses Frangalhos de tudo que resultei
Vai minha gratidão A todos àqueles que encontrei E que me deram umas palavras Uns ouvidos aos quais falei Com um dilatado coração Sob uma dor que não dissipei Em momentos de extrema solidão Vai minha gratidão À todos os que me deram um empurrão
Vai no meu poema o que não sei...
Vai minha dúvida A minha desconfiança, Esse jeito de olhar... Vai no meu poema sentidos escusos Vontades de chorar Vontades de sorrir Vontades de gritar... Vai tudo no meu poema, E o que fica ainda é muito, Eu não consigo abarcar...
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