
A TÚNICA
Data 23/03/2009 23:41:18 | Tópico: Poemas -> Amor
| A Túnica
Soberba a Lua, enorme e cheia Quente a noite e morna a areia da praia A natureza apostada em compensar A agrura de alguns intermináveis dias. Deslumbrante a lua e quente a noite Porque quente o calor que nesta hora nos aproxima. Tenso mas contido Tanto quanto o reclama o teu pensar Fascinou-me o instante em que te conheci Porque me fascinou a pessoa que vi em ti Nos olhos negros e amendoados a falarem-me de um mundo Que me anuncia a mulher sedutora Que o destino fizera nada no Sol Nascente. Não foram as tuas vestes que Estranhamente se tornaram estimulantes Estranho paradoxo Que nos estorva Tantas vezes nos impede de sabermos onde Com rigor reside o encanto da mulher. Convencer-te a ver-mo-nos na noite Nessa hora em que o Mistério se adensa É empresa não fácil mas lograda finalmente. Exuberante a Lua e majestosamente cheia A sensualidade e o romântico são os ingredientes Que fazem rico este recanto único da oceânica orla. Há muito que me habituei a esperar na praia deserta Passos que sinto baterem-me na alma E despertarem toda a minha pessoa Não tarda que os escute. Estirado na areia simulo distracção ou sono absoluto Mas acordado quanto o pode estar um homem apaixonado Tanto quanto sinto estar. A Lua continua soberba e cheia E ela Ariana – é este o seu nome - aproxima-se Adivinho que ninguém mais possa ser E sem dizer palavra estira-se a meu lado. O nosso recíproco mundo de silêncio Faz-se mutuamente entendível Que ânsia de a olhar não tem limites Como se uma nova pessoa feita indescritível sonho Me fizesse temer a quase divinal visão. Tudo estranhamente se faz incógnita para mim Incapaz de avaliar a visão concreta Na noite sensual e romântica Que se me anuncia. Num impulso volto-me para Ariana E os meus olhos estremecem ao trocarem-se com os seus. Faz-se assim luminosa e omnipresente A mulher que nos últimos dias Se fizera o objecto dos meus pensamentos de todas as horas. À luz exuberante da Lua E ao lúbrico calor da praia contemplo-a no meu deslumbre. Atento que uma túnica singela e negra Bem à maneira oriental é tudo quanto a cobre Pudica mas voluptuosa. Subitamente sinto-me frágil ante o seu encanto Sentimento de fragilidade Que logo se converte em determinação. Numa força que nada nem ninguém ousaria deter Mas não obstante sempre caminhando pelos caminhos da prudência Assim é que num lanço impetuoso quanto o pode ser Enrolo a ponta da túnica nos meus hábeis dedos Até ao subtil prenuncio da semi-nudez Tanta quanta o generoso do luar consente. Um suspiro fundo de Ariana me diz que aprova a minha ousadia Um estremecimento seu é um desafio que me não deixa dúvida E então não é já a atitude contida mas o envolvimento pleno Num quase descontrolo próximo da loucura que nos envolve. Como sempre o tempo faz-se escasso nesta comunhão inaudita De duas pessoas que se devoram no mundo incomparável do amor. Entretanto a lua já mal se anuncia na linha do horizonte marinho E desaparecendo como que nos diz que o amor é precioso Mas que o êxtase não dura sempre.
|
|