
Caminhos da Baixa Verde II
Data 23/03/2009 01:00:17 | Tópico: Prosas Poéticas
| Apeia, apeia! Gritava meu irmão. E continuava a gritar: Apeia! que o burro é brabo! A voz me vinha distante, chegando como um recado do vento, um sopro meio ondulante... e nessa lonjura de diálogo tenso, o jumento corria mais. Eu me vi numa situação sem jeito. O espinheiro chegando perto e eu não conseguia parar o burro vingativo e esperto! pois não sabia se o comando certo era hiiii! ou ts ts. Nessa peleja desmedida eu fazia os dois ruídos, confundindo o bicho! pensei: Tô perdida! Quando a tragédia estava prestes a acontecer, em poucos segundos que me pareceram vidas, e eu me vi com o rosto esfacelado... Tive a certeza que não mais veria o amanhecer. O temor de ficar desfigurada gelava até meus ossos e todos os nervos do corpo começaram a endurecer. Fiquei angustiada! Mas, o burro de repente parou, assim, do nada! Baixou o pescoço e foi simplesmente... Comer arbustos do chão, Ora! que demente! Eu que já estava quase conformada a viver uma vida penalizada, não esperei aquele comportamento abrupto e passei direto pela sua cabeça de burro me estatelando no chão! Deu-me uma crise de riso e rolei de rir naquele barro vermelho e cheiroso... Nunca mais esqueci esse evento horroroso. Sempre lembro desse momento terroso! Onde o esperado foi totalmente inesperado, bom, mas doloroso!
Dedicado ao meu irmão, Galeno. (eu bem que te avisei! rss)
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