
Instantes I
Data 21/03/2009 21:08:53 | Tópico: Textos
| (Re)começar... O tempo insinua-se no murmúrio da noite a musica envolve o sonho ruas perdidas de sono nu o mar o céu o sol nos desejos as florestas virgens desvaneceram-se as cores do mundo os cavalos selvagens e as madrugadas tardias nas manhãs calmas em dias de desespero o pão na mesa vazia a corrida para o lugar de imagens soltas assim o vento selvagem sangue estival morno de medo uma papoila e um vestir de negro n ã o luto a vontade arrefece a dor ímpia reclama o suave e cálido perfume de um morango esquecido.
As maçãs espumam de vermelho enquanto os corações ardem nas fogueiras que não fizemos.
O gelo derrete-se nos beijos pe(r)didos nos acordes de guitarra do tentar esquecer então um mar de laranjas geladas um chão sem tecto no olhar de vidro transparente (e o nevoeiro esconde os barcos)
(o) rio um riso sem nome as gaivotas limitam o meu horizonte nada se liga onde está o querer?
O sol põe-se quando eu tiver partido.
O regresso e o desencontro num olhar que não sei.
Os regatos exigem frescura. Quem me abandonou?
Candeeiros vermelhos um quarto perdido mãos sem prisões o apelo da vida um grito rouco NÃO RECUAR SER um pássaro livre um sorriso diferente o amanhecer um rio sem tréguas o princípio a corrida a noite tranquila no momento agora os espelhos partidos não reflectem as imagens cansadas.
O sol encheu a cidade de alegria e as crianças partiram em busca dos jardins líquidos há sons no ar viajar pelo sentir ir de encontro ao muro e continuar (todos os muros são destruíveis) quebra-se o (en)canto as gargalhadas encontram o eco no silêncio calado da escuridão tardia.
Os cabelos esquecem-me os amigos castanho-dourados esvoaçam sem fronteiras ultrapassam limites (que eu criei?)
A resposta está no Outono nas folhas caídas no amarelo das flores.
A tempestade destrói os caminhos.
Um olhar de mel olhos castanho-avelã sangue nos telhados luz nas espadas cintilantes caiu uma estrela rebentou uma nuvem
liberdadeliberdadeliberdade
um aspirar fundo duma violeta em água luar res-plan-des-cen-te
o inverno tem todas as estações do ano a musica reabre a ferida resfolga o cavalo alado pela mutilação das asas borboletas em festa os salgueiros dão-me paz num viver exaustivo de confusão e sal a chuva não vem o sol desertou tremores febris...
Amanhã o momento é importante uno principal pensamentos translúcidos agitam-se num acenar de adeus definitivo a fuga parece a solução (a guerra continua) PER-MA-NE-CER não se esqueçam do frio dos vagabundos e dos artistas.
Lentamente, o azul confunde-me: mistura-me com a noite e parto com a musica.
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