
Maré de água morta
Data 20/03/2009 17:26:29 | Tópico: Prosas Poéticas
| Agora eu sou como uma lua muito branca que caminha em direção à noite e posso minguar sutil e sossegadamente sem que me tentem tocar. Posso restituir a quadratura perdida às vozes das pedras, às dores dos ventos, às manifestações poéticas de cada grão de areia que ainda respira. Posso abastecer de espírito as folhas secas que se dão às tempestades num bailado estranho, como num assombro. Rica em amplitude, posso deitar-me, evanescente, sobre a colcha azul de céu e cobrir de um luxo momentâneo o oceano avaro e sombrio que geme rouco sob a expectativa de tudo que um dia novo lhe pode tomar. Posso agora, vizinha das estrelas, aconchegar-me ao impresumível, trazer a água doce de volta para a memória e escrever jatos de luz na carne da terra...
Em homenagem a mim mesma.
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