
«« Velhice««
Data 19/03/2009 14:29:31 | Tópico: Homenagens
| Nessas rugas que trazes no rosto Vejo a esperança de quem espera e na espera desespera Nesse olhar brilhante, vejo a vida que geraste, para trás a deixaste Vejo castelos que sonhaste, sonhos que abandonaste Vejo todas as amarguras que escondeste Em cada cabelo branco, vejo o desespero para criar os filhos Vejo os anseio que neles depositas-te, vejo tudo o que não fizeste Para que eles pudessem fazê-lo Nas tuas mãos calejadas pelo cabo da enxada, vislumbro o suor escorrendo Com que regaste estes campos, em águas límpidas de esperança Mano a mano com outros homens da terra, que construíram quimeras Que o vento tratou de levar, nada sobrou, restou esse olhar Onde me encanto, sempre que te vejo nesse banco sentado Parado, cismado, embriagado nas recordações que te trazem à lembrança O tempo em que neste Alentejo, se olhava a noite como propicia ao descanso E o novo dia como um novo alvorecer, Nas mentes que em tempos sonharam que esta terra haveria de vencer. Nada mais consigo fazer senão olhar-te esperar que um dia acabes por morrer Nesse dia meu amigo lá estarei, um punhado de terra te oferecerei Para que de uma vez por todas por este chão deixes de sofrer.
Antónia Ruivo Dedico este texto a todos os pais que vivem esquecidos pela sociedade neste Portugal de desigualdades.
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