
Foste o silêncio na boca do meu beijo
Data 13/05/2007 18:43:34 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Hoje Foste o silêncio na boca do meu beijo quando o desejo De te ver De te ter falou mais alto, no mutismo vagaroso d’alfabetos. Em espectros velados a custo. Embustes!
Vejo-me sombra acicatada na luz parda dos ciprestes. Vejo-me víbora enrolada no ninho de tétrico remanso. Ouço-me na voz da morte, em delírio de febres vomitadas, juguladas na solicitude do teu ser, do teu amor. Projecto-me vítrea, que a mágoa de te sentir ausente exara no sismómetro, magistral trovoada. A ferida não sara. Escorre-se ácida na finda pedra no anseio do descanso dos ossos, após queda derradeira.
Deixa que me tombe neste horizonte povoado de toupeiras. Deixa que me desabe no pavor da mata gelada. Deixa. Que finde a finda busca insana do raiar d’aurora.
Hoje Visto-me de ventos desumanos, subo as golas geladas, agasalho a fala, esta que é sangue vivo, taça cálida de sobremesa - morangos, framboesas -, abrigada no casaco de falsas verdades, de vis mentiras. Golpeio os olhos, rasgo as entranhas em garras de pranto e iras. Desenganos. Visto por debaixo os restos dos sóis quotidianos, de mil falácias e milhões d’equívocos. Abro as cortinas do tempo, lacradas aos sete ventos desfaço as malas, faço silêncio.
Hoje, neste átrio vácuo de memória, a alma, sombra vaga, perfila-se na parada. Faz silêncio, faz-se ao silêncio, informulada! Silenciam-se sentimentos, nos disparos do fuzilamento.
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