
Sentidos Proibidos
Data 15/03/2009 18:55:58 | Tópico: Textos
| Ouço o som leve que a tua mão matinal soletra ao pousar no meu corpo, descansado, inerte, enquanto absorves as gotículas que sobram do festejo do amor.
O teu olhar diz-me quando insistes em usar a palavra mentira e desvio os olhos para não ver a fuga que desenhas em cada minuto do silêncio que empurras para mim.
Não discuto mais essa definição para a qual gosto de inventar camuflagens de edredons que possam disfarçar desejos e encobri-los dos olhos desse mundo, que vigia todos os que passeiam de mão dada por caminhos de sentido proibido.
Não descanso, enquanto as palavras se tornam desnecessárias, afundadas, em lamentos de frases vigiadas.
A estranheza tempera com nervosismo a tua voz e reflecte-se na cor da musica que os teus passos trauteiam discretos, pelos caminhos onde nos encontramos às escondidas.
E vou cortando em fragmentos de segundo os pedaços do tempo que demoro a fixar o recorte do teu rosto.
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