
DESABAFO
Data 13/05/2007 12:33:05 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| Ao Deus verdade ou mito / Que existe ou consiste no infinito / Escrevo o meu libelo poema / Pois não é justo esta era ser julgada / Pelos mesmos padrões da era passada / E estes versos são o teorema...
Não é justo julgar com igualdade / Em várias eras a mesma humanidade / Há que se levar em conta tempo e espaço / Para que todos com parcialidade / Gozem o bendito céu da cristandade / Um peso e medida só é muito escasso...
Era mais fácil viver sem odiar / Na noite antiga, serestas a cantar / Sob a pálida luz de um lampião / Lua de hoje não inspira serenata / Lua de hoje é meta de chegada / Onde Luniks e Apolos pousarão...
Corpo a corpo ontem eram as guerras / Para a conquista ou defesa das terras / Os generais garbosos lá na frente / O átomo foi então desintegrado / E manobrado em teleguiados / Matam soldados generais ausentes...
Destrói, não destrói, eis a questão / Da nossa era em decomposição / A radioatividade pairando pelo ar... / E os seres desta era clamam aflitos / Não sei se revoltados ou contritos / Pelo simples direito de respirar...
Ah ! O ar puro dos campos, inalado / Nas manhãs de tempos tão passados / Dos convescostes alegres da vovó / Os saraus, os acenos, o “bom dia” / Que desconhecem os da geração vazia / Que por ter mais gente está mais só...
A cibernética facilitou a vida / Paradoxalmente mais difícil de ser vivida / Ao toque milagroso dos botões / Porque o ser humano vaga renegado / Na parte material sempre lembrado / Mas sempre esquecido em suas emoções...
Os cedros do Líbano se extinguindo / Parecendo profecia admitindo / Que dos tempos chegamos ao final / Guerras, mortes, doenças, invasão / Crianças morrendo por inanição / É todo dia manchete de jornal...
Por isto, Deus verdade ou mito / Se nos julgares, como está escrito / Não coloques no prato da balança / Os desvairos e a nossa omissão / Na fé, no amor, na dor, na compaixão...
Somos a geração sem esperança...
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