
FICAR CALADO E O JEITO DE GRITAR TODOS OS GRITOS
Data 14/03/2009 21:19:41 | Tópico: Poemas -> Amor
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SEU MESTRE FOI O SOL E A ÚLTIMA PROFESSORA A LUA DA SAPIENCIA PAGOU COM A PELE A DÍVIDA DO SANGUE, NA MAIS LOUCA PENITENCIA NO CEU PINTOU O QUADRO DE SUA DOR RETRATO TRISTE DA INCIDENCIA VEM SEGUINDO O CAMINHO QUE A VIDA RESERVOU PARA SUA EXISTENCIA NEGARAM-LHE A FÉ, CRENÇA, DERAM-LHE OUTRO PREMIO DA INTELIGENCIA NÃO OUVIU CANÇÃO, PERDEU O TREM, A TRISTEZA TEVE SEMPRE PREFERENCIA TRABALHOU NA ROÇA, NA CAPINA E NA DESTOCA, FELICIDADE ERA SEMPRE AUSENCIA ESPALHOU PANFLETOS, BRIGOU COM A POLÍCIA, ASSISSTIU À MISSA E FEZ OCORRENCIA SEMPRE CALADO, DE POUCAS RISADAS, PERNAS AFIADAS SEM SORTE, POUCA COERENCIA SE BENZEU NA PIA, SE BANHOU EM ÁGUA BENTA, ABRAÇOU SEU FILHO COM ADVERTENCIA FUGIU DO LAR, MOROU NO BECO, DORMIU NA RUA, SE FARTOU TRISTE DA SUA RESIDENC IA FOI ASSALTADO, LEVARAM NADA, ERA TUDO QUE TINHA, SE MANTINHA LONGE DA VIOLENCIA
CRIOU SEU CORPO NO BERÇO FRIO DO CHÃO, CORAÇÃO PARTIDO POUCA VIVENCIA NÃO TINHA O DIREITO DE MORAR AO LADO DE ALGUÉM, VIDA DE PURA CARENCIA CAMINHAVA TRISTE, OLHOS FECHADOS, BOCA SERRADA, DIREÇÃO DA URGENCIA SITUAÇÃO NORMAL QUE FICOU, ALÍAS, NUNCA HOUVE, FOI TUDO EMERGENCIA ACORDOU DE UM SONHO FRIO, NEM VIU TUDO QUE ACONTECEU, SONOLENCIA ENTRE OS CAMINHOS, PÉS NA ESCURIDÃO, CABEÇA NO CÉU DA TURBULENCIA
NENHUMA CULPA, A VIDA FEZ DELE O RETRATO DA TRISTEZA E DA REFERENCIA FALAVA DE LADO, MIRAVA O CHÃO, POUCA CORAGEM, NENHUMA APARENCIA DA VIDA NADA SABIA, HOMEM SEM BRAVURA, SEM TERNURA, SEM ESSENCIA ROSTO CONFIANÇA, DESCONFIADO, COM ELE NINGUÉM TINHA PACIENCIA LEVA DA VIDA MARCAS PROFUNDAS, SORRISO TRISTE, POUCA INOCENCIA MOÇO DE OLHARES TRISTES, PASSOS APRESSADOS, SEM ADOLESCENCIA
CAMINHAVA PRO CERTO, PERNAS LOUCAS MARCHAVAM PARA O ERRADO E A VIDA CHEIA DE TANTA DIVERGENCIA NUNCA FALAVA TUDO, FICAVA CALADO, JEITO DE GRITAR GRITO CALADO, BEM LONGE DA VERDADE, JEITO RETICENCIA APRENDEU COM O ACASO O CASO MAIS CERTO, LUTOU TODOS OS DIAS, TODAS AS NOITES E NUNCA A DESISTECIA NASCEU DE UM AMOR TORTO, NÃO TEVE TÍTULOS, NÃO TEVE AMORES, RAPAZ DO SUL, LÁ DO SEM PROCEDENCIA FOI FECUNDADO NA MÃO, GERADO NO BALAIO, TEVE COMO BERÇO CAIXOTE DE MADEIRAS, BELA INEXISTENCIA HERÓI DE NADA, POBRE IRMÃO BRASILEIRO, FILHO DA LUTA, MELHOR FOSSE FILHO DO NADA, DA RESISTENCIA
PASSOU POR RUAS SEM SOL, POR NOITES SEM LUA, DORMIU EM CAMAS SEM AMOR DE MISERÁVEL CONVIVENCIA SEM SABER O VALOR DE UMA FOLHA QUE DESPENCA DO ALTO DA ÁRVORE VIVEU SÓ E SEMPRE A PERMANENCIA DOS MAIS LOUCOS LUGARES, DOS MAIS PERTOS E DISTANTES, DO IR E VIR DA VIDA, LOUCA TRANSCENDENCIA DE QUEM ACREDITA QUE MESMO NÃO SABENDO NADA DO AMOR, A VIDA, VIVE MESMO POR INSISTENCIA QUANDO PECA POR QUERER, ACERTA POR CRER E VAI TOCANDO A VIDA, VENDO A MORTE, NEGLIGENCIA BUSCANDO SEMPRE NO MEIO O FIM, SEM SABER O PONTO DO AMOR E SEM SABER O QUE É REVERENCIA VENDENDO A FOME, DOANDO A ESPERANÇA, AMANDO AS BALAS, VIVENDO LOUCO A SOBREVIVENCIA
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