
CABEÇA DE CARTAZ
Data 28/05/2006 16:39:26 | Tópico: Poemas -> Reflexão
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Trato de pelica, Gesto de veludo, Cortesia exuberante, Ramalhetes, rapé, Rodapé, Lacre do mais rico, Riso malandro, Objectivando lucro, Quem os veja, Hirtos e frondosos, Mijando fora do penico, Não pode supor sequer, Astuto Empreendimento, Que esta gente, Com mui alento, Põem em tudo quanto quer, Deitar a mão, Por sua assunção.
Diarreia verbal, Veste-se de meretriz, Gosta de sexo anal E põem o dedo No nariz, Limpa na cueca, Ganha na sueca, Em noites infindas De penetrante bacanal. Oh, pobre gentinha, A mim não me compram, Vossas senhorias, Dais-me pois algumas azias, Mas não julgueis Que por inveja vossa, Que bem polida tenho a lousa, E se por um acaso De utopia se trata, Antes isso e dignificar-me, Do que vos dar o prazer De andar, como vós, Nesta vida à socapa.
Ficai assim Nas vossas casinhas aprumadas, Com o dislate No escaparate, Mostrai-me se quereis Esse imenso rol de papeis, Se tendes o dinheiro Para os pasteis, Que vos faça bom proveito, Mas nessa cama É que eu não me deito.
Mais que isso, É esta certeza:
Com ou sem Algoz, Ornamentos, Ou não, Saibam vós, De antemão, Que, jamais, em dia algum – Estai pois, alerta! –, Sereis poeta.
Jorge Humberto (31/03/2004)
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