
Excertos de um diário
Data 10/03/2009 22:19:38 | Tópico: Textos
| 10 de Setembro de 1986
Mãe: um pouco mais de Sol e é como se sorrisses por entre a tempestade. Quando partiste levaste todas as flores. Eu fiquei com a música e uma saudade enorme a crescer para fora do peito, de tão grande. Um beijo sempre. (Que solidão, Meu Deus!)
22 de Setembro de 1986
A saudade é uma dor física que não sei onde começa mas sei que não acaba... O que eu não dava para te ter aqui comigo, agora a dares-me carinho...preciso tanto da tua ternura...Um beijo. Se eu pudesse ir até aí...
7 de Outubro de 1986
Minha mãe sinto que me proteges e encorajas como eu desejava que fosse físico esse teu gesto de amor...Por vezes apetece-me ir ter contigo, mas não sei se te encontraria...é que estás tão dentro de mim...Minha mãe muito querida.
20 de Outubro de 1986
Minha querida mãe: a manhã está luminosa e fria e que saudades que eu tenho das manhãs iguais em que me aquecias com o teu sorriso. Vagueio pela casa vazia, tão vazia numa solidão estrangulante de lágrimas e dor. Por vezes sento-me aqui, neste nosso recanto e fico a olhar para a porta numa espera desespero. as lágrimas recusam-se a brilhar ao Sol, preferem encher-me o peito de sal...Outras vezes (sempre) sinto-te tão perto que a minha única raiva é não poder tocar-te, ouvir-te... O tempo vai decorrendo, mas as coisas não têm sentido, nem direcção, não têm razão de ser movimento-me apenas porque tenho que o fazer numa tentativa de libertação este tentar não pensar/lembrar/chorar-te.
Olha estou com medo do Natal. Não devias ter partido tão cedo. Sabes, és a única pessoa que eu amo de verdade, é impossível gostar assim de mais alguém, sem reservas.
Do fundo de mim, algumas lágrimas, todas as flores do mundo e tudo de mim. Sempre. Um beijo.
2 de Dezembro de 1986
É incrível como de repente o céu se abate sobre nós e chovem lágrimas de verdade neste tentar não lembrar que saudade Meu Deus Mãezinha sou uma menina pequena com medo do escuro e com esta dolorosa certeza que não voltas mais. É noite e o que me dói mais é essa impossibilidade de regresso este fim precoce esta mudança de mim em alguém que desconheço e lamento. Mãezinha não sei se não te reconheço por causa das lágrimas se é por te tentar esquecer neste dia a dia sem futuro nesta dor salgada nesta fuga sem destino...
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