
Órbita vazia
Data 08/03/2009 01:26:47 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| Vaga o astro no tumor intacto Porque tu não viestes a tempo de contemplar A dádiva maior de todo sentido inexistente, A dúvida sagrada de amor penitente em vasto túmulo.
Eu implorei por alguma ajuda,estuprei a sanidade do pulcro intento, Apodrecendo todos os dias sozinho ninguém escutou aquele canto amargo, Eu engulo o sol e vomito o esperma divinal,acídulo vazio, Sou o aborto vivo e a masturbação aidética intemerata.
A cálida ferida. Um estrela canta e embala o sono, Eterno e quieto sem sonhos o sublime descanso, Eu vejo a noite consumir o mito fraterno tecido a plangente palavras, O arquétipo decomposto.
Vaga o astro agora na órbita cancerosa, Degenerado na poça de urina e sangue o secretor desaba, A mão que acaricia o rijo membro infantil É a mesma que decepa o delírio do infante morto.
Vaga o astro no apodrecimento completo Partilha minha dor,apenas ele é sincero, Tu não viestes a tempo de contemplar O quebranto da lívida chama vital.
O brilho desaparecido Inerte na lágrima da criança em febre, Túmulo em abóbada e lascivo vitral, A voz calada da inocência.
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