É urgente É urgente silenciar o silêncio Este silêncio ensurdecedor Que me fustiga a alma Sem cessar...
Anoiteço E amanheço Mergulhada neste Insuportável Zumbido silencioso...
Que me esmaga o corpo Contra as paredes Cravejadas De cacos de vidro Afiados como gumes Que se estreitam Sobre mim Golpeando-me de morte Num sufoco interminável
É urgente É urgente secar a fonte Que inundou o meu sentir E afogou o meu ser
E eu já não sou Se não um corpo morto Meio apodrecido E jogado no fundo deste poço Sem fim Onde já ninguém me procura
É urgente É urgente silenciar o silêncio Que me grita como um louco Mas que eu já nem ouço...

Penso que morri Não sei...
Só sei Que já nada sou Insana mente a minha Que se perdeu De mim...
E permaneço aqui Neste lugar oco De um deserto Arado pelo vento Num qualquer algures De um tempo findo
Onde nada existe A não ser Este silêncio gritante E teimoso Que ecoa na minha mente Inconsciente Vezes e vezes Sem conta...!
É urgente É urgente silenciar este silêncio Que me aprisionou a alma Deixando-a trancada Neste inútil corpo!...

Nada disto é real! São apenas palavras alinhadas ao acaso, movidas pelos sucessivos impulsos criativos da minha mente inquieta, perante a perspectiva de uma morte em vida, contrariada pela tão controversa proibição da eutanásia...
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