
Pirotecnia
Data 10/05/2007 18:44:32 | Tópico: Poemas
| Ser fogo Ser chama, ser lama, ser vulcânica lava cratera aberta em dádiva. Ser mulher a acontecer em genésicas vontades pontilhadas partilhadas no prazer concavo da pedra esmerilada.
Astronave fortuita, avultada em chuva nos bagos rubros duma romã, nos odores ébrios dos lagares a escoarem-se galopantes, em papiros de carmim, na arqueologia do verbo silenciado e calvo.
Astronaves, navegantes, em escuta. Do teu corpo, do teu verbo, convexo no postigo dissídio do teu ser.
Ouvir-te, folhagem estrepitosa, no assombro, no trigo brusco, reverdescido. Na aveia percorrida nos dedos nus dos insectos. Alfabetos, rios d’afectos reclinados em pálpebras entreabertas, respiradas no hoje. No instante. No talvez amanhã. Nos desígnios, nos propósitos, nos signos justapostos, costurados no papel da pele. No papel sugado à machadada na arvore original … e nele ser fogo ser chama, ser lama, ler vulcânica lava…
Ser tudo, por fim, cicatrizada a ferida, na volúpia sagrada, explodida em pirotecnia, no paralelo poema, na rima e na palavra!
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