
Brilho, só de luz
Data 27/02/2009 18:04:56 | Tópico: Poemas
| Eu queria ser uma mente brilhante Mas só acendo a luz, no escuro E depois, tudo é um diamante Apenas eu, não tenho futuro
Eu sonho, dia e noite, eu sonho Nunca acordo, para os viver E este sono já é tão velho Como com quanta idade, se pode morrer
Não se pode dizer que é muito, nem pouco Apenas se pode dizer que é uma vida Seja ela a mente de um grande louco Ou a de uma morte precoce, atingida
A minha, a minha voa por aí Nunca atinge uma verdade Entre tanta coisa que vem e vai O que fica é só saudade
Nesta viagem escrevo para mim Não tenho a quem mais dar E mesmo sem nunca atingir o fim Ninguém me pode parar
Nesta viagem, não me falam inglês Nem dizem que eu o falo bem Eles dizem que falo bem o francês Apenas porque eu falo com eles também
E meto apenas as coisas no lugar Pois sou eu o forasteiro E por mais que me possa indignar Nunca estou, em primeiro
Fico quieto no meu canto A minha vida é apenas um comboio E sigo em viagem num vagão solto E apenas com os pés me apoio
Eu dou passos e tantos em vão Pois este comboio é indomável Não tem o pedal do travão O que o torna imparável
Viver é só viver e pronto Como a locomotiva leva tudo p’ra frente E todo o homem é tonto Se pensa que é diferente
Nós somos a locomotiva Vamos p’ra frente e levamos tudo atrás E a única coisa positiva É a entrada nela de pessoas
Em tantas que saem e não voltam Outras tantas acabam por voltar E tantas que nunca lá foram Mas vieram para ficar
Segue comboio, segue a linha Já que o fim eu não o vejo Não tens travão, nem rodinha E só viver é meu desejo
Não sei se ele anda a carvão Ou se segue, a todo o vapor Só sei que bate um coração E viaja muito, pelo amor
Ó sonhador, sonhador, que eu sou Cada viagem é um paraíso Nem de todas as paragens, gostou Mas nunca perdeu o seu sorriso
Tragam-me água da mais pura Que não me sacia qualquer sede A minha sede é só de aventura E de ser poeta, nada me impede
Tenho em mim, loucura entranhada E de serenidade, tenho um poço cheio Embarco na praia já navegada Sou agora um barco que não tem freio
Ao sabor do vento, quase que flutuo Mas o meu pensamento esvoaça E vem sempre a razão, porque o continuo Pois se o barco pára, é a desgraça
No mar alto sem ver a costa Perdido no epicentro do oceano Qualquer bem que se sinta Tem o mesmo sentir de leviano
Se há coisa impensada é o amor Por mais que o pensem, nunca é igual E o seu verdadeiro esplendor Vai muito mais além, que aquilo que é banal
Ele vem no gesto, ele vem no olhar No peito aberto e nos abraços Ele vem sem caminho para andar E alimenta os desejos, já esquecidos
Dar um beijo é banal, um abraço e um carinho Mas é sozinho, que ele se pode sentir E sentir sempre que se tem um caminho Para apagar a saudade, que ainda está por vir
Amar é querer sem ter E depois de ter querer mais Amar nem sempre se pode escrever Se os sentimentos forem reais
Amar é sentir o primeiro encontro Já na hora da despedida Partir sabendo que em teu coração moro Dando-te um palácio em minha vida
Só serei rei, se tiver rainha Pois o meu reino mais que amor, nada tem E os valores são coisa tão minha E o maior deles é o de poder fazer o bem
A minha riqueza é um precipício Com safiras, esmeraldas e diamantes lá no fundo O medo de saltar é um ofício Ou um modo de estar no mundo
Carrego a me enfeitar, gramas de ouro Não sei quantas nunca as pesei Mas não pesa mais este tesouro Que o fumo dos pregos do caixão, que eu já fumei
E quantas gramas por mim aquecidas E derretidas na palma da mão Também estas em cinzas tornadas E como elas mais coisas, com o vento voarão
Levar a vida de uma forma boa Ainda não lhe encontrei e resolvi a formula Há tanta parte que me magoa Que fica difícil poder terminá-la
Faz-me tédio o que faço o que vivo Nunca sei se sei viver Sobreviver é algo instintivo E eu sobrevivo, com o instinto de não morrer
Sou mente brilhante, sou sonhador Sou o que quero ser, ou o que sou O escuro não é assustador Pois a luz é algo que eu lhe dou
Quantas folhas poder escrever A minha vontade escreverá As muitas ou poucas que podes ler E talvez eu, já não esteja cá
O texto é longo é assim a vida Farto de ler e de viver e de olhar Continuar de um ponto de partida Aonde um dia se vai voltar
E relembrar o esquecido Como texto que se releu E no final ter percebido Que o poema também é teu
|
|