
PELAS RUAS DE MINHA CIDADE
Data 08/02/2009 13:17:02 | Tópico: Poemas -> Amor
| Hoje à noite vou passear sozinho pelas ruas de minha cidade Talvez eu perca o rumo e sofra um pouco pelas tantas mudanças Talvez não veja a banda tocando no coreto nem as crianças nas ruas Ai vou entender mais fácil: o coreto acabou e as crianças cresceram
Talvez não possa levar a minha carteira de identidade Vou sair mais tarde sem saudade e sem documentos Penso que vou encontrar poucos amigos e violões Vou sentir falta de espaço, falta de abraços e amores
Estou certo que hoje será o dia que nem volto pra casa Se encontrar a antiga e linda professora de histórias Quem sabe a de geografia, português, inglês ou frances A gente possa reler o que foi escrito no velho caderno
Vou descer a rua dos estados, qualquer um vai servir Atravessar a rua dos índios e me encontrar com vários Na rua das cidades do meu interior vou ficar na praça E na rua dos santos vou pedir aos céus um pouco de fé
Talvez não me encontre nem com um bandido ou policial Vou ver vários bêbados, mendigos, miseráveis e religiosos Juízes e delegados de Platão estarão dormindo ao som do vento Enquanto a saudade passeia pelas antigas ruas de minha cidade
Os trilhos do velho bonde dormem para sempre abaixo do asfalto Enquanto passa o velório do último maquinista da Maria fumaça E o velho político sem ideologia, faz seu último discurso sem alegria Coisas da minha cidade, tão grande e tão bela, cheia de contrastes
Talvez não participe da procissão do Senhor morto há dois mil anos Nem escute o canto do eixo do velho carro de boi, quanta saudade Tenho dificuldade para atravessar a rua, tropeço em gentes e carros Não escuto mais a sirene da fábrica anunciando às seis horas da manhã
Vou trocar meu terno e meus sapatos por uma bermuda e andar descalço Vou colocar uma placa no peito e vender o ouro das nossas minas gerais Vou ao meu velho barbeiro e raspar os últimos cabelos que carrego Na volta passo no Jésus da alfaiataria e rasgo a nota do meu último terno
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