
Quando me lembro
Data 07/05/2007 10:35:45 | Tópico: Poemas -> Amor
| Quando me lembro da tua voz rumorejada ao meu ouvido, do teu beijo desenhado a traço fino, no vácuo espaço indesejado do teu abraço de pássaro encantado pousado nos meus ombros… Do teu abraço de proa debruçado sobre as ondas revoltas do meu corpo. Do teu braço saído do peito encapelado num anseio longo e vasto, de se fundir no verde dos meus seios de ninfa confessa neste comum desejo
E deste lenço branco içado permanentemente ao vento no mastro erguido da saudade…
Quando me lembro do teu olhar sempre menino, do teu olhar traquino desse olhar dulcíssimo de criança…
Solta-se amarras, faz-se bolina esperança, permanece a amplitude de um luar a pratear a vastidão rasa da planície. Permanece no mais alto do meu ser um querer ousar, acontecer, ser! Um querer imperativo, decisivo, crucial, que prevalece instintivo, quase fera, quase animal, sobre a esterilidade do traçado dum destino.
Quando me lembro, despedaço à tesourada raivosas pálpebras coladas pelo sal das lágrimas e avanço, determinada, sem medo, a passos largos, no trilho quente das palavras que escrevo, no farol do teu olhar de gente!
Que meu amado, não existe nem cedo, nem tarde, não existe espaço, tempo, ou idade, para este conjugar permanente.
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