
A pomba cagona
Data 04/02/2009 11:30:39 | Tópico: Textos
| Era uma vez uma pomba que se achava linda, bonita, pressurosa. Enfunava as alvas asas sobrevoando altaneira e presunçosa, porque mais perto do céu se achava. Competia com outras pombas lá no pombal para ver qual a mais bela e prazenteira e quando escovava as penas logo perguntava: - Então? Não dizem nada das minhas alvas penas? – E transformava-se em pombo-correio com a mensagem na pata entregando a reclamação da ausência de opinião sobre a qualidade das suas penas que invariavelmente resumia-se a um “há tanto tempo que não elogias as minhas penas…!”. E com pena todas as pombas do pombal acorriam a elogiar a alva pena da pomba que já merecia pena por tantas penas pedir. Ninguém lhe podia dizer que a pena não era tão alva como isso, tinha algumas manchas, que logo ela apagava e ignorava o vil comentário. E acorria ás penas alheias, mesmo aquelas que imitavam voares alheios. - que lindo é o meu voar, vejam como as minhas penas se abrem ao vento que me sopra em sentido ascendente, fazendo-me subir, subir… E as outras pombas no pombal diziam entre si que não percebiam essa ânsia de reconhecimento da pena, começando já sem pena nenhuma a lançar escárnio e maldizer na pena da alva pomba. Mas a pomba continuava a voar e como todos os pombos mandava abaixo todo o interstício que defecava sobre as outras pombas do pombal. - Vão ter que me gramar dizia a pomba… e lá continuava a voar (a defecar) sem pena de quem lhe aparava as excreções… - Até um dia…- Diziam as outras pombas – Até um dia… A pomba terá o sonho de Ícaro?
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