
O DÍNAMO DO DESESPERO
Data 31/01/2009 14:32:36 | Tópico: Poemas -> Reflexão
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A
Durante a odisseia gradativa do fluxo citadino da plácida antemanhã, Floresce despótico, resplandecente e altaneiro O sol do calvário dos tenazes garimpeiros Que procuram debaldemente Jazidas e mais jazidas do ouropel do áureo diadema da decência: Que estão aprisionadas nas intangíveis minas velhaco-abstratas E hermeticamente lacradas da nepótica sina ou dos anseios caídos em desgraça.
B
Mas afinal quando estas fantasmagóricas humanas formas acordam e levantam, Levanta e acorda também A flama da primavera humana: Então, como se colmeados Pelo manto inconsútil, harto e inebriante do entusiasmo, Subjuga as suas pálidas frontes O semblante luminoso dos seguidores do onírico horizonte libertário... Dos seguidores dos cativos da sonambulante iconografia do augusto oceano... Dos amantes das abelhas que fabricam o mel da etérea e singela alacridade... Da fonte que rejuvenesce o altivo sol da dignidade... Do magnânimo mar indômito da calejada filantropia: Pois esta, ao contrário de suas irmãs vaidosas, Que tecem loas a alter egos da glória; Contempla e deifica os vários arquétipos de corpos Que são iluminados pela radiação fervente qual emana da atroz luz dolosa, liricida!
C
Todavia, como se estivesse possuído pela aura de um trem supersônico, Incomensuravelmente célere o dia passa; E consigo, em largas passadas, As flores radiosas do malogro, Exalando a alfazema do ocaso, Também passam.
D Portanto, infelizmente, A flama da antrópica primavera Desvanece e novamente se transforma: Na verdade, retorna á sua antiga fantasmagórica plataforma: Que é a soturna e entorpecedora amargura amorfa!
JESSE BARBOSA DE OLIVEIRA
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