
«« Poeta castrado não««
Data 28/01/2009 13:49:58 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| Poeta castrado não!
Serei tudo o que disserem por inveja ou negação: cabeçudo dromedário fogueira de exibição teorema corolário poema de mão em mão lãzudo publicitário malabarista cabrão. Serei tudo o que disserem: Poeta castrado não!
Os que entendem como eu as linhas com que me escrevo reconhecem o que é meu em tudo quanto lhes devo: ternura, como já disse, sempre que faço um poema saudade, que se partisse, me alagaria de pena e também uma alegria, uma coragem serena em renegar a poesia quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu, a força que tem um verso reconhecem o que é seu, quando lhes mostro o reverso: Da fome, já não se fala é tão vulgar que nos cansa mas que dizer de uma bala num esqueleto de criança? Do frio, não reza a história a morte é branda e letal mas que dizer da memória de uma bomba de napalm? E o resto: que pode ser o poema dia a dia? Um bisturi a crescer nas coxas de uma judia um filho que vai nascer parido por asfixia?! Ah não me venham dizer que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem por temor ou negação: Demagogo mau profeta falso médico ladrão prostituta proxeneta espoleta televisão. Serei tudo o que disserem: Poeta castrado não!
José Carlos Ary dos Santos Imagem tirada do Google
|
|