
««Pequeno grão de areia«« reeditado
Data 27/01/2009 14:29:07 | Tópico: Textos -> Esperança
| Hoje acordei sem saber se vou, ou me deixo levar Tenho a mente encoberta, dividida, repartida, atrofiada Olho pela janela, nem os pássaros vejo voar, as crianças pararam de brincar Um velho caminha lentamente, triste pedaço de gente Há muito que deixou de ver, a alma decidiu manter escondida Os anseios da juventude, enterrou, ou tão somente abafou Na ânsia de viver mais um pouco, se atrofiou, camuflou Hoje senti-me cobaia em laboratório de génio enlouquecido Não me importei com o que escrevi, nem com o que li Pouco importa se sou má a juntar as sílabas, medíocre, convencida Nada mais sou que pequeno grão de areia, se rimo ou não rimo tanto faz Os que antes me criticaram amanhã me elogiarão, eu pobre demente farei o mesmo Novo olhar pela janela, e o velho lá está, o seu rosto alterou-se Decido olhá-lo com atenção, que vejo agora Um rosto enrugado, olhar extasiado, sorriso maroto, gaiato Ombros curvados, passos compassados, mãos calejadas, mente arejada Olho com atenção redobrada, a primeira imagem, ultrapassada Afinal velho sisudo, nada mais és que o verbo gerado, idealizado Foste mente brilhante, em mundo retrógrado, foste cientista louco num mar de ideias Cruzastes os mares, subiste aos céus, matastes milhares, em nome de Deus E descobris-te que nada mais precisas fazer, resta-te saborear a obra Aqui estou eu pequeno grão de areia para teus passos seguir, tuas ideias fazer subsistir, Posso nunca conseguir desvendar teus medos, não entender tuas palavras Posso não saber ver a tua imagem curvada com o peso do mundo Mas sei que posso sempre dizer-te, gosto de ti, és gente, e o que dizes conta, Posso fazer -te sentir importante, tornar a tua jornada mais leve, dizer que te amo.
Amanhã quando acordar quem sabe me apetece dormir.
Antónia Ruivo Imagem tirada do Google
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