
Olhar de Miúdos Descalços
Data 04/05/2007 10:35:46 | Tópico: Poemas
| O sabor do oceano adoça-me a boca Como se sentisse o mel nos teus lábios, Súplica de encantadas sereias, Delírios entoados pela ventaneira. Viagem infindável de uma romeira Trilho traçado no chão que semeias, Páginas mastigadas dos alfarrábios Que contam a nossa natureza louca.
Castelos imponentes feitos de areia, Desenhados por valvas e pedrinhas Extensões de quimeras perdidas… Querer ser e não poder. Sentado no mundo que me viu nascer Conto estrelas como sendo vidas, Forjo letras e pequenas palavrinhas, Olho triste a aranha em sua teia.
Vivo romances falsos… Sinto a velhice em tenra idade, A dar-me lições moralistas, Pena merecida nesta existência. Cega-se uma vida em decadência, Máscaras… expressões que registas Por serem o espelho da verdade, Olhar de miúdos descalços.
Fome… fome que vejo alguém ter, Que repudio por ser eu… ou não! Balas que atravessam desertos, Desertos de homens sem inteligência. Corpos rasgados… sem essência, Espalhados pelo campo, descobertos, Ao relento, à morte, na solidão, Olhar de miúdos que querem viver.
|
|