
RITUAL DE INICIAÇÃO
Data 17/01/2009 18:41:41 | Tópico: Prosas Poéticas
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Corre vagarosamente, pelo seu leito, o caudal de um rio, que me lembro, desde sempre, ali existir e de lá me banhar, enquanto criança, junto com meus amigos, que, tal como eu, tinham asas, que era todo o deslumbre, da natureza, à descoberta.
Tudo era enorme e sem fim à vista, e, as grandes montanhas, eram, desde tempos remotos, a conquista maior, a ser alcançada, povoando nossos sonhos irrequietos, noite e dia, ao olharmos aqueles grandes penhascos, onde a neve persistia, durante todo o ano.
Diziam os mais velhos, que por lá existia uma grande variedade, de animais selvagens, desde alces a ursos a matilhas de lobos, correndo sem descanso, até alcançarem, suas presas aterrorizadas, pelo espectro da morte inevitável, e, que, os lobos, finda a caçada, uivavam, ante a sua conquista.
Não temendo estas histórias, preparamo-nos para subir a grande montanha, no dia seguinte, bem agasalhados e de mochila às costas, onde havíamos posto, toda a comida possível, para que nada nos faltasse, em nossa empreitada, mas, desde cedo, deparamo-nos com enormes obstáculos, à causa.
Isto porque a cada passo dado, dois atrás se seguiam, atraiçoados pelas falsas pedras, que se deslocavam e rolavam montanha abaixo, deixando-nos assustados, na eminência de uma queda fatal. Incentivando-nos uns aos outros, sem temor, prosseguimos lentamente, e, aos poucos, fomo-nos aproximando, do desejado cume.
Por fim a glória era nossa, quando, exaustos de todo, nos achamos no cimo da temida rocha, jogando tudo para o chão, e, a plenos pulmões, nossa alegria, fizemos ecoar, pelos vales vizinhos. E assim, a meio tanta magia, num círculo eterno, olhos nos olhos, sorrimos: deixáramos de ser crianças, para nos tornarmos homens.
Jorge Humberto 16/01/09
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