
manhã
Data 15/01/2009 10:30:34 | Tópico: Poemas -> Sociais
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paulo monteiro
a rua estreita se estende como serpente ferida e os homens caminham nela como motores sem vida
as chaminés elevando-se nessa manhã nevoenta mostram formas tão estranhas de bichos enormes indo para o velho matadouro dos que não têm dinheiro só força de produzir
nessa manhã como em sonho e como se sonha em vão passam os homens sozinhos como sempre vão passando levando a marmita simples com seu feijão e arroz
é uma manhã como as outras como chicote assassino corta o vento da manhã como policiais espiam os olhos dessa manhã
feijão e arroz nas marmitas feijão e arroz nada mais desenha a fumaça baixa pontos trágicos em torno dos vultos que se vão indo com suas formas estranhas para o velho matadouro dos que não têm dinheiro só força de produzir levando em suas marmitas feijão e arroz nada mais (do livro inédito eu resisti também cantando)
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