
Quando me tocas ...
Data 02/05/2007 22:04:10 | Tópico: Poemas -> Amor
| Quando me tocas, na alma simplesmente - que de mim te fizeste, nesta vida, tão ausente -, quando me tocas, meu amado, e os teus imaginários dedos percorrem lestos os lagos gelados e salgados da memória …
Quando tocas a pele subjugada da tua amada, e colocas a voar na sua boca - na minha boca -, palavras que eu pensava não saber pronunciar palavras das quais não descodificava inteiramente o significado e colocas igualmente a rastejar no centro dos meus olhos tristes cavalos supremos, doutrinados em apostolados de deificado pecado, ali, no verde afogueado do fulgor do teu bem querer …
Quando me tocas, meu amado, marinheiro fundeado num mar inquinado de amabilidades e de desassossego, o sonho, a fantasia, a ilusão e a magia deste sentir mareante, pleno e inacabado, conduzem-me, profetas, à porta entreaberta do teu ser, ao porão escorado e nu do teu casco de barco parado, algures em algum lugar, recoberto de tenebrosos percebes e cracas, que nem as tintas mais possantes e repelentes impediram de se fixar …
Sem medo, atravesso então o passadiço elevado no cais adivinhado no meu íntimo prazer de dar e receber continuamente. De dar mimo, carinho, ternura, afago, num gesto rústico e genuíno e no fascínio da redescoberta do traçado. Vagueio então na agitação breve da partida, na ansiedade plena da chegada …
Quando me tocas, meu amado, com uma só palavra sussurrada ao meu ouvido, o toque tem a força desmedida dum tsunami, tem a garra perfurante da metástase recidiva e o poder de me manter suspensa na falésia abrupta da Vida!
|
|