
DESILUSÃO À VIDA
Data 30/04/2007 15:06:47 | Tópico: Poemas -> Góticos
| “Hoje vou pela vida triste e langue. Ai! Se eu soubesse nunca o transporia... Vede este chão... é sangue! Sangue...” (DA COSTA & SILVA. Sangue)
DESILUSÃO À VIDA (Davys Sousa)
Está a cá, lasciva, a vida criando ao seu altar O Alto da Noite e Santati para o ferido, o cego, O Pescador de Ilusões vagando sem fado. A Noite, talvez, fria, retrate seu perfil pernóstico.
A flor mórbida do vale derrama sob suas pálpebras Rebentando o tédio à vida, enquanto ele tem Visão de seu decrépito porvir: no chão Alimentado pelo verme misantropo sem... Sem a vida o dar esperança, apenas ofertando silêncio.
Eis o homem maldito! A vida – durável tortura. Ele, encarando o cemitério dos vivos E seus pensamentos que já são defuntos. A cada pancada vivente, seu obituário Está mais que certo: o vício ao livre-arbítrio Dá-se ao truz do obtuso instrumento pondo ao suicídio.
Bebe, ele, por agonizante taça, sua cura, Rezando a Lua Negra por suas dores infernais, Por paz perpétua na sepultura E indaga à Noite fria: “Que o hímen com que minh’alma Se prende à carne langue e impura Seja cortado e apagado pelos abismos do esquecimento.”
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