
Dois Sonetos Satíricos de Paulo Monteiro
Data 06/01/2009 19:00:01 | Tópico: Sonetos
| Dois Sonetos Satíricos de Paulo Monteiro
O Burro
A um ilustre causídico que ameaçou processar o autor
Que eu te chamei de burro asseguraste - E em frente da Justiça assoberbada -, Zurrando furibundo, me ameaçaste Com uma insulsa e insossa papelada.
Se fosses besta, assim, como afirmaste, Por certo atacarias a patada E não da forma estranha que encontraste, Em tudo desconforme à burricada.
És muito mais que mulo, e tens o status Bastante superior ao de Insitatus, Cavalar senador de um rei cruel.
Quem te chamou de burro se iludiu, Pois jamais a um solípede se viu Cursar Direito, e ao fim, ser bacharel.
Burromaníaco
Ao mesmo bacharel que, após ser convencido de sua condição humana, desistiu da asneira Não te tratei por burro, pois respeito Deveras o solípede animal, Esse bicho que à força do seu peito Levou progresso ao sólio senhorial.
Ignoro se por mágoa ou preconceito, Por capricho ou recalque, em fato incidental, Te arvoraste a ti mesmo esse direito De protestar que te chamei de tal.
Porém se queres responder a pulos, Orneios e patadas na porteira Irei tratar-te, pois, sem termos chulos.
E em respeito à vontade verdadeira Hei de ofertar-te o que é servido aos mulos: Sal excelente e pasto de primeira. (Passo Fundo - 2005)
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