
ENTRANDO NA REALIDADE DO ANO NOVO
Data 06/01/2009 18:42:44 | Tópico: Prosas Poéticas
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Numa sensualidade, nascida, pelas mãos do artesão, conjugando sensibilidade e refinado oficio, ao toque, quase imperceptível, de dois copos de cristal, de encontro aos lábios semi-abertos, numa degustação antecipada, bebe-se ventura e saúde, como desejo primeiro, para que a consumação, desses anseios, sejam uma realidade, para o novo ano.
Casais saem à rua, para logo, regressarem a casa, reservando esta noite, só para eles, e, a libido, toma conta de seus corpos e fantasias, onde tudo lhes é permitido, e, as sedas e cetins, afirmam-se, roçando pelas cortinas, num erotismo, à luz de velas e da pouca claridade, entrando, pelas janelas abertas, dando vida ao piano, onde repousa o vinho, e, as mãos, unificam-se, numa subtil carícia.
Não muito longe, dos chamados, mundos industrializados, a fé exacerbada, ainda move, milhares de pessoas, que, ao invés, de comemorarem mais um ano novo, se vêem na iminência, de antigos confrontos, e, as ruas, vestem-se de vermelho sangue, derramado por uma bala assassina, não importando, se mulher, velho ou criança, que, por acaso, festejava, emotiva mutação.
Porém esta é uma realidade, em espaços e países diferentes. Mas ainda assim, no meio deste caos (não tão longe de nós), em certas casas, enchendo-se de coragem, pessoas, retirando das paredes, quadros de familiares, prestam-lhes uma última homenagem, no decorrer do ano velho, e, renovados tributos, ao som da meia-noite, que os sinos assinalam, anunciando a hora da ceia.
Jorge Humberto 05/01/09
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