
Quase poema
Data 06/01/2009 18:21:14 | Tópico: Poemas -> Amor
| Paulo Monteiro
Eu quisera escrever um poema que falasse do amor. O amor é tão banal que não pensamos nele sem que nos sepultemos no lugar comum, e tão bonito quando falamos nele sem que nos persiga o pecado.
Eu quisera escrever um poema que começasse por teus pés e subisse por teus seios ou que iniciando em teus cabelos fitasse teus olhos, beijasse teus lábios, lambesse teu colo e fosse descendo, descendo... até mergulhar no teu ventre e se tornasse poesia. E germinando em ti, crescesse até tomar-te a cor dos olhos e dos cabelos, dando-nos as mãos e nos cobrindo de beijos.
Seria belo te amar, beber tranqüilidade nos teus lábios. Como é doce te ouvir e ver tuas mãos conduzindo crianças que não têm teu sangue!
Quanto é belo ver teus seios balouçando sob a blusa, acenando para os filhos que teu ventre não gerou.
Peco ao pensar nas sementes que não plantei em ti. Peco ao me imaginar lavrador de tuas carnes.
Meu Deus! Tu, que és amor, por que inventaste o pecado? por que me fazes – ao vê-la – sentir o dulçor dessa mulher?
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