
[ manto de nadas ]
Data 05/01/2009 22:57:56 | Tópico: Poemas
| Neste nada onde me encontro Nada ser para poder crescer Permito-me estar desprovido E o meu coração sente o poder Será nesta latência interior Que irei evoluir como um nada Onde nem as feridas doem O esforço de subir esta escada Estado consciente despejado Um punhado de nadas me pertence Vazando aos poucos a pressão Do conjunto de vazios que me enche Fecho-me no meu silêncio Neste vácuo do não sentir Deixo-me envolver pelo instante Que me puxa para o não existir
Mas existo num estar profundo Onde nada sei do que sabia Aos poucos vou vendo em mim O esvaziar da névoa que me cobria De movimentos limitados Aguardo pacientemente Mas encho-me de receio Que no aprender dos nadas Que no vazio da minha mente Estas vozes, estas sombras Tudo quanto insistentemente Que este vazio de nadas Me sufoque eternamente Fecho os olhos, tento perceber Se no meio do reboliço dos nadas Existe algo de meu que alimente O nada por nada existir Ou se existe um ser mero nada Que sinta o que está para vir
O que vejo ao abrir os olhos Nestes nadas que me cobrem Deverei alcançar com ardor Saber possível o estar Nesta ausência de ar de calor Neste nada por não subsistir Nasceu uma pequena cor Que parece conseguir Procuro numa pura inocência Do nada em que me transformei Agarro-me a ela com insistência A esperança que alimentei Voo-o nela, simples cor Na necessidade de poder consumir Os nadas que me cobriram O meu ser nunca vai desistir
Mas voltarei aqui novamente A este buraco vazio e fundo Aos nadas que me acolheram Saibam nadas deste mundo Voltarei para me completar Mas não pensem por um segundo Que me vão conseguir aprisionar
um sorriso colorido
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