
Guardião
Data 30/12/2008 20:10:53 | Tópico: Poemas -> Amor
| Repousa o teu corpo no vício dos passos, sossega o sangue nervoso dessa existência fértil de medos, breus e acalenta na ideia voraz do rosto a fugaz primavera de um sonho lindo que vento algum desalinha venha a tormenta que venha dos quatro céus endiabrados... Dorme. Penteia o sono com os dedos ainda húmidos de amores degolados, livres de enganos e enganados, num atlântico de esguios beijos suados. Dorme! Sem alvoroço, no topo do burgo... Lá fora o mundo regateia sombras distantes num desacato de dores lúbricas, anónimas enquanto no tecto da vida as verdades são sombras sumptuosas, nubladas de inquietações, sinistras nocturnas, no zelo das ocasiões... tropelias. Dorme. Nada temas do doravante, pousa o pensamento exausto de fugir, não sabe de quê, despojado... não sabe para onde, sonâmbulo... como tudo na vida. Dorme. Hoje eu sou pastor e cão de caça pelas eiras muradas da intranquilidade onde só os lobos dormem seja qual for a hora e o desejo!
|
|