
COISAS DE UM MUNDO PERDIDO
Data 29/12/2008 17:46:49 | Tópico: Poemas -> Reflexão
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Ao som de harpas celestiais, comendo ambrósia, e, de leite fresco, saciando minha sede, no cimo de uma montanha sagrada, com rios de mel, correndo livremente, entre jardins suspensos, onde vagueiam, sem pressa, miles de animais, neste pedaço de rocha, paradisíaca, juntas-te a mim, sempre de sorriso, nos lábios cereja, e, eu abro espaço, para que tu, minha deusa, ocupes o teu lugar, só a ti destinado.
Chegas formosa, pés descalços, na erva rasteira, soltando teus cabelos, à altura da cintura, enfeitada, de lenço escarlate.
E, penteias-te demoradamente, com um certo prazer, que, alindando, vai, teu belo rosto ancestral mas sempre jovem.
Gozando tudo, a que temos direito, nesta pequena redoma, para onde nos lançaram, descanso não há, pois que, a todo o instante, centenas de crianças, vêm-se prostrar, a nossos pés, pedindo, a seu gosto, que lhes contemos histórias, atrás de histórias, sobretudo aquelas, em que é retratado, o fim do Mundo e do Homem.
Para não mentirmos, às crianças, levámo-las, descendo pelo arco-íris, até ao que um dia, se chamou, de Planeta Terra, para que, com seus próprios olhos, pudessem ver, toda a destruição, que ali reinou e imperou, século após século, até ao assassinato, de tudo, o que um dia respirou e teve descendência, consagração final, do que conhecíamos por vida.
Impressionadas, com a devastação, de toda a vida humana e animal, plantas petrificadas, no chão ressequido e árvores, mais os sulcos, por onde um dia, correram rios e mares, a falta de oxigénio e os prédios, em absoluta degradação, fê-las querer regressar, e, ganhando asas, no dorso, voltamos todos, à Terra dos justos.
Jorge Humberto 28/12/08
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