
Deformados
Data 28/12/2008 01:24:36 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Há um tumor que alimenta antigos desejos, Crescendo a metástase transforma-se em um sonho pulcro, O brumo que sorvido pelos deuses origina o caos cuspido nos abortos Escorre pelas fissuras e chagas ,sacro estigmas infeccionados Estuprando vorazmente a criança aleijada.
Um feto deformado mergulhado no universo além éter Ilude o abismo e confunde-se na paisagem de incontáveis cadáveres Permitindo que a mãe decepada o contemple com órbitas vazias, Pavilhão dos mutilados, cantam para os leprosos surdos, Passeiando com a língua nos membros rotos e gozando nas feridas Um verme assola os intestinos do novo dono do salão, Ela defeca em vagas lembranças enquanto a loucura não consome o que resta. Despedaçando intróitos onde fluidos excretórios lamentam.
Lábios vaginais e cortinas nada densas tombando até afundar na promíscua decomposição, O fedor que emana dos corpos organiza-se ascendendo ao teto branco que ilumina os olhos dos cegos, A luminosidade que reflete nos lencóis e trajes abertos,sangue desce profundo em vasos e artérias explode, Derramando a sub-existência fulgaz do brado atro sem maxilar ecoando nos portões manchados, Os limites da dismorfia em traçados pavorosos,
Eutanásia
Soa a misericória quando o nome ecoa. Pernas desfeitas arrastam-se em busca do fim carregando absurdos corpos.
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