
O MEU DIÁRIO «(100º post no LP)»
Data 16/12/2008 21:20:05 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Não olhem para mim não leiam o que escrevo eu não guardo nada apenas o meu rosto e um diário só com a ilusão timbrada não conheço as palavras nem procuro conhecer razões dessa ausência em forma de certeza rabiscada Moro numa redoma de folhas brancas à espera de serem escritas por verbos já esgotados por seres eruditas Não sou a metade de nada nem o princípio nem o fim Não tenho lágrimas só emoções a definir um silêncio de sensações aqui estou sem mim neste diário feito assim escrito com o vento que me diz sem eu saber o que chega da alma É um tudo e um nada (voz de um horizonte de bruma) Silêncio desconhecido sem saber se seria deste modo que deveria ter vivido. O que ando a fazer? A encontrar o desejo sem ter o seu prazer? Será insano não perceber este diário que escrevo coisas que se compõem sem se poderem ler ou ver (palavras nunca ditas nem nunca se irão dizer) Será este meu diário uma verdadeira convicção distinta de qualquer ilusão? Será que os meus dedos fingem para minha alma não padecer? Mas para quê saber Se o meu diário é uma crença? Haverá alguma diferença? Sem a certeza da (in)compreensão Peço a alguém, a alguém que seja ninguém que acabe este diário e o mostre para mim (deixo estas linhas em branco por entre espaços babilónicos…) ... _______________________ __________________________ __________________________...
Leve tão leve este explicar incólume às mãos de ninguém sem deixar rasto do seu gesto para manifestar a sua presença Só sei que pertence a alguém que me trocou o não pelo ser que prolongou um sonho sem eu próprio saber (e o Diário ficou por escrever)
Imagem retirada da Internet (algures por aqui, já não me recordo de onde fiz o download). Desconheço o autor
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