
MÃOS DE PEDRA
Data 16/12/2008 19:38:09 | Tópico: Poemas -> Reflexão
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Como pedras de mármore, desintegrando-se, em pedaços tiranizados, uma por uma caem no chão, restos de mãos, que deixaram de ter, porque existir ou acreditar.
Vem de há muito, que essas mãos, desfazendo-se gradualmente, desviaram-se de todos os valores comuns, a uma sociedade, por falta de humildade ou caminhos mal escolhidos.
Nada nos diz, que errar, não têm conciliação, e, que, não podemos, devolver toda a dignidade, ao nosso corpo, ainda que estas frágeis mãos, dedo por dedo, teimem em desagregar-se, como enraizado martírio.
Porque mãos, que trabalham a terra, que cumprimentam, amigos e vizinhos, e, lhes reservam respeito, sempre serão firmes e nunca estarão sós, porque a palma de outras mãos, se lhes estenderá, em socorro.
Figura abstracta, depara-se ante meus olhos, com uma mão de pedra, fixando-se na minha retina, numa súplica, que não posso ignorar, e, oferecendo-lhe a minha mão, calejada e sofrida, segurando-a, trago-a até mim.
Noto que há uma certa resistência, e, sangue, escorre de minha mão, ferida pelo mármore, ao tentar trazer à vida, os pedaços, que teimam em não se agregar, num medo compreensível, de um novo recomeço, mãos com mãos.
Jorge Humberto 15/12/08
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