
A Noite de 03-01-2007...(Um pesadelo para sempre...)
Data 08/12/2008 02:20:37 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| Dormes sobre uma almofada, A mesma de todos os dias; Numa noite igual às outras anteriores No mesmo quarto, De brancas, pálidas paredes. As paredes sem expressão Mas cheias de sonhos Sonhos de inocência infantil... Os mesmos sonhos, que sem saberes; Te seriam roubados para sempre... Nessa noite em que os olhos previram, Que a luz da sua faísca Iria para sempre desaparecer Aquela inocência com que diziam, Boa noite... Quando adormeceste sem saber o dia seguinte, Desejavas acordar, Para ver o sol de amanhã... Agora olhas para trás; E desejas ter ficado a dormir; Apenas para sempre... Porque assim o pesadelo; Apenas seria isso: Um pesadelo! Que se desfaria com o raiar da luz...
Acordaste em sobressalto, Acordaram-te... Mais cedo do que deverias acordar. Abres os olhos com lentidão; Como quem não os quer abrir para a escuridão... Depois de abertos, sabes que algo mudou Algo está diferente na tua vida; Ainda tens alma e coração, Mas preferias não ter; Para não sofrer! Sobre ti está debruçado o teu sangue O teu irmão está diante ti: “ – Ele está no hospital, Está na unidade de cuidados intensivos...” Levantas-te e procuras o caminho Para lugar nenhum, apenas queres fugir... Voltas a enfiar-te na cama; Como se os transparentes lençóis Te protegessem do mundo inteiro; Como se os lençóis tapassem a realidade, E abafassem os gritos de ti! Pensas o pior, mas rezas o melhor... Voltas a fechar os olhos como uma criança fecha; Escondeste do mundo; Para que não saibam que sofres... Para que não saibam que choras... Para que não saibam que existes...
Voltas a fechar os olhos Enganaste fingindo dormir Para que possas acordar e fingir; Que tudo apenas foi pesadelo... Mas sabes que é real, Mais real do que desejarias. Abres os olhos outra vez, Deitando ao céu em que não acreditas Mais uma tola e inútil prece: “ – Que volte bem e sorrindo!...” Ilusões que o coração tece Pois surge-te uma sombra do teu sangue Rompante entrando pelo quarto, É o outro irmão, o mais velho; Deslavado e despedaçado por entre lágrimas; Como nunca o traçaste... Por entre a dúvidas e revolta, Sabes o que aconteceu... O chão perdesse. O céu desaparece. A realidade torna-se opaca e confusa. Fechas os olhos... Estás de volta ao frio e triste quarto A porta fechasse e olhas para ela. Foi um pesadelo, Mas não queres abrir a porta... Não queres saber:
Se pesadelo? Se realidade? Mas... Porque choras?... Com este poema decidi enfrentar o meu pesadelo e descobrir de onde vem este meu negro por extingir, talvez assim o consiga extiguir um pouco, mas nunca por completo, porque sem o negro não há o branco; assim como; sem o bom, não existe o mau...e sem o Blackbird não vive o Tiago...
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