
DAS DUNAS ATÉ AO MAR
Data 23/11/2008 17:00:31 | Tópico: Poemas -> Alegria
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Passeava eu, entre o mato, que circunda as dunas, quando senti, na distância, o aroma marítimo do mar, achando-se logo mais em baixo. Saindo do incómodo deste cerrado matagal, comecei por fim a descer as dunas, em direcção ao clamor das águas.
Inda era manhã cedo, e, a madrugada, na sua névoa espessa, escorria, como areia dos dedos, para o interior da floresta, levando consigo seus últimos resquícios. Ao longe, no horizonte, o sol já se distanciara, de sua prisão nocturna, aquecendo e fulgindo, tudo à sua volta.
Como o mar estava de maré baixa, não estranhei alguns madrugadores, abrindo buracos na areia, alcançando assim as amêijoas, enquanto as crianças, entretinham-se apanhando conchinhas, que logo corriam, a mostrar aos pais, de tão ocupados que estavam, pensando no petisco.
Talvez adivinhando a chegada dos pescadores, um monte de gaivotas, circundava por ali, poisando, para logo levantar voo, pulando de lá para cá, demonstrando um certa ânsia, pela chegada do peixe, seu alimento favorito e a que nunca faltaram, faz muitos anos, apesar da pesca escassear.
Nisto o sol, tomou definitivamente conta do areal e da praia, e começaram a chegar os primeiros veraneantes, cheios de coisas e mais coisas, que mais pareciam ir para uma campanha humanitária. Nunca percebi, como uma só pessoa, consegue transportar tanto, de uma única vez, bastando o essencial.
Logo se estenderam as toalhas pelo chão, arrumando o demais, tudo muito certinho e juntinho, pois ali exige-se pouco esforço. Saíram os cremes protectores, e, depois, de bem besuntados, deitaram-se ao sol, que me perguntei, o que faria ali aquele imenso mar, convidando as pessoas a entrarem nas suas águas.
Aparentemente as pessoas não sabem divertir-se. Trazem a casa para a praia, não arredando pé, de suas coisinhas banais. Não me importando, com tal situação, corri feito louco e mergulhei nas ondas avidamente, usufruindo do bom que o mar me dá, sempre que nos unimos, em um único corpo.
E sozinho nadei a bem nadar, subindo e descendo as ondas, tendo o mar imenso só para mim e meu deleite. Percorri, de uma ponta à outra, toda a linha da maré, sem ter nenhum incómodo sequer nem pessoas, com quem interagir, o que, diga-se, causava mal estar, e logo outra onda sacudiu-me.
Jorge Humberto 22/11/08
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