
aos intelectuais do meu país... e arredores
Data 20/11/2008 22:50:19 | Tópico: Poemas
| os cães ladram e a caravana passa ouvi dizer
e não foi no tempo naquele bom e velho tempo em que as galinhas tinham dentes
foi hoje agora aqui enquanto o verso gritava a dor do corte do cordão umbilical e o líquido amniótico lhe cobria o corpo bem mesclado com sangue de metáfora
no entanto é um facto bem concreto os cães ladram e lambem-se enquanto ajeitam o risco do pêlo que a cabeça lhes cobre frente ao espelho
dizem poema em vómito aplaudido por toda a plateia black tie
mas a caravana passa
a caravana exagero de poeta
um mero vagabundo vagabundo que nada tem que nada tem
nada como quem diz uma frase colhida no pomar de irene lisboa
uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma
nada como quem sente o sol que leva na algibeira como o outro vagabundo no poema do manuel da fonseca
e os cães ladram persistem em ladrar e ficam por ali parados a ladrar na berma da estrada da vida
nem reparam que do osso nada resta
enquanto é o vagabundo o tal do sol na algibeira o tal das mãos cheias de nada e de coisa nenhuma que caminha para o regaço da memória futura de todos os homens
Xavier Zarco www.xavierzarco.no.sapo.pt www.xavierzarco.blogspot.com
|
|