
Silenciou o silêncio no verbo rouco
Data 22/04/2007 21:06:33 | Tópico: Poemas
| Silenciou o espanto num grito mudo que não era verbo, não era flor, flor do sal flor da pele não era dor, nem mágoa, nem alegria ou contentamento … Espanto apenas, esvaziado em metástases de nada…
Silenciou o espanto na agonia lenta. Agonizou em anisotropia, em gélida hipotermia. Rebuscou-se na busca de miraculosa alquimia capaz de transformar a perpétua noite, em permanente dia! (Não havia, ela não sabia!!!)
Buscou-se na magia caldeada em (pro)fusões antigas d’ervas daninhas, dionisíaco-sacras. Em ervas taludas ou finas, recolhidas no azimute de nenhum lado, num local determinado p’la rosa-dos-ventos. Na encruzilhada de milenares estradas. Emboscadas! Ventou por dentro! Em desalento.
Foi sementeira, espiga madura, fruta madura… Foi original semente, fruta emergente … Foi rio, foz e corrente. Foi água escorrente, nuvem subida e de novo gota escorrida. Alimento de animal sedento. Foi Vento! Ventania … Brisa corredia… Ofegou por dentro! Em esmorecimento …
Silenciou o silêncio no verbo rouco, num frio polar, para além de morto. Resfriou por dentro! No entorpecimento!
Silenciou-se por fim, no deslumbramento selvático, de ser cais e barco ao mesmo tempo. Num só tempo! Num só espaço! Contra todas as físicas leis! E, numa volta de mar, num ocaso branco, silenciou-se no espanto de se espantar de si, mulher, e de por fim, ousar se enfrentar!
Volatilizou-se! Não existe mais… Atomizada, apenas atónita partícula, povoa o ar!
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