
NO ABRAÇO DE UM ANJO
Data 22/04/2007 20:12:58 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| “A minha alma só canta a sepultura, E nem última ilusão beija E conforta meu suarento dormir...” (DE AZEVEDO, Álvares. Lira dos 20 anos)
NO ABRAÇO DE UM ANJO (Davys Sousa)
Outrora da carne combalida se enluta O arfante coração à lânguida alma Num noctígeno desvelo nessas noites Sem abrigo ao sanguinolento hábito De adormecer – esta ignota senda e sorte.
Lançaste, Ó alma aos langues campos De toda a existência abrupta. Nesta abulia da vida, causaste a morte. Ó maldita! Espírito maldito, esse verme Que roga da má fé e atira-me A acerba punhalada que detém As místicas venturas humanas.
Sonho? E quando acordar, hei-me De eximir tais confrontos sombrios Ao negro e frio abraço de um anjo, Bella furtiva em meus sonhos ébrios.
Sonda-me com tuas asas toda a imensurável solidão. Tu, nobre e gentil alma que me anima.
E quando fores me consolar, Ó belo anjo De minha despedaçada alma, rompirás A alvorada dispersante de meu naufrago-sonhar.
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