
TÃO LONGE E TÃO PERTO DE TI
Data 15/11/2008 16:53:17 | Tópico: Poemas -> Amor
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Embora pouco convidativo, espreitar pela janela aberta, de meu quarto, devido ao frio, não há nada que me impeça de fazê-lo, ante a estrema beleza, que meus olhos, parecem não se acostumar, perscrutando a natureza.
No rosto uma brisa fresca, faz-me mexer, de cá para lá, tentando manter a fria face quente, e, assim, poder finalmente, urdir com meus olhos, a paisagem, que se debruça, sobre meu ser, exigindo minha presença, ainda a madrugada, traz consigo resquícios, de mais uma noite passada.
Ressequidos jardins, cheios de róscido e de flores caídas pelo chão, anseiam um pouco de sol, que já se vislumbra, num vermelho forte, sobressaindo da linha do horizonte, que descansa, noite dentro, detrás do rio.
E quando, finalmente, o sol explana e doura, tomando força, por entre o azul do céu e o verde do rio, algumas plantas mais resistentes, levantam-se de sua letargia e colorem os pequenos cantos, dos campos cultivados, na ida primavera, deixando-nos um pouco de sua graça, onde se lhe juntam louva-a-deus e as joaninhas, caçando em sua subtil leveza.
E logo penso em ti, em como poderias estar aqui, vendo o que eu vejo, em perfeita sintonia, com tudo o que me rodeia. E pinto quadros, que mais tarde te dou a mostrar, pois só assim, teu nome, numa mímica de lábios, em silêncio, por mim será soletrado, rosa, de todas as rosas, meu sol.
Olhando, seguidamente, as águas do rio, mais em baixo, viro meu rosto, por cima de meu ombro, e tento, inutilmente, ver um pouco, de um Oceano, que, impavidamente, tudo separa, o que para nós tem de mais bonito. E, perguntando, à vil distância, que faz, quem longe está e ama, respondeu-me:
apaixonado, amigo, repara, que não há Oceano, que se interponha entre um amor, só o dito amor.
Jorge Humberto 14/11/08
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