
A MARCHA
Data 12/11/2008 18:56:54 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Porque é que ao caboucar o poema Me vêm sempre à lembrança Imagens inesperadas Que me tolhem a fluidez do verso?
Porque é que a razão e o sonho Em mim sempre se atropelam Na estúpida ansiedade De quererem ser as primeiras a cortar a meta?
Porque é que vislumbro sempre vis cumplicidades, Na persistência das sombras que me agridem, Me servem penosas insónias nocturnas E me encrespam o riso?
Às vezes penso que esses fantasmas assim agem Porque ouviram, de segura fonte, Que o riso é o som da água que corre Na ribeira do pensamento cristalino, Das consciências livres.
Ouviram e sabem que a felicidade Flutua na turbulenta torrente da utopia, Que é o pão e o vinho das almas libertas, De preconceitos e máscaras.
Das almas que ousam romper As grilhetas que guardam cativas As tristes personagens do grande teatro de marionetas Em que transformaram as nossas vidas.
Por isso nos querem, Marchando: Todos sem tempo, E todos a tempo.
E nós lá vamos Marcando passo Com as botas da tropa E também com outras De biqueira de aço.
Um! Dois! Três! Esquerdo! Direito! Perfeito!
No tempo certo, Marcando passo. Tudo a preceito, Tudo proveito, Tudo a compasso.
Ponta Delgada, 2008-11-11 Aníbal Raposo
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