searas outras ...

Data 12/11/2008 14:36:53 | Tópico: Poemas -> Sociais

claustrofóbica
fobia outra que s’ acasala in vítreo
ao verbo porfiado
em mênstruo de vértebras e medulas bífidas…

não se dizem palavras
não se esculpem gestos
nem tão pouco florescem lábios em malmequeres
de risos
nem sequer já s’agitam flamejantes papoilas serôdias.
ou outras, iniciáticas.

[a palavras enquista, companheiro, se a não partilhas
se de ti t’ isolas e és, do mar, tão só, beleza árida,
ínsula, …ilha, ressequida lezíria,
mouchão do Tejo
(este que deste promontório vejo).

retoma o verbo e fala, fala, grita,
para que ninguém se esqueça que a língua é uma arma,
que se eleva
ave que voa em “V”, em bando…
que dilacera crostas
e inflama indiferenças pálidas, como por magia … ]

claustrofóbica
a janela que se abre em compassos de morcegos
na varanda dos verdes campos
‘inda …

e contudo, quando dos pulsos se libertam os dedos,
leves ondulam as ancas e as searas
num abraço de rio
azul
profundo (eis o meu mundo!)

desce agora a corrente consuetudinária
o sangue
e cresce, e brota livre, no Abril dos corpos
em supetões de espuma
na boca planetária

há um planeta em espera
em cada adiada promessa
há uma ecologia protelada na negritude neófita que te fita
em cada noite onde te ocultas da co-cidadania
e te corrompes
e não investes na filosofia pura dos gestos fartos,
na urdidura d’afagos, camarada,
e a chuva ácida sobe e, pesada desce,
e empapa planuras de searas rubras antes sequer da debulha.



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