
[ um sentir vazio ... ]
Data 11/11/2008 13:56:18 | Tópico: Textos
| Algo está prestes a partir, a quebrar, a não resistir As feridas sossegadas na sua cura explodem em bocados Jorrando em mares extensos de sangue escuro e antigo Rebentando com todas as crostas que saravam nos seu próprio tempo Trazendo ao de cima todos os medos e receios
E o Amor novamente se esconde mais fundo ainda que anteriormente Para que nunca mais seja encontrado levando um rasgo de feridas que abriu Deixando um rasto de destruição interior que não se vê mas queima Queima todas as cicatrizes velhas por onde passa provocando dor
E tudo arde ... explosões de ira e revolta surgem em rasgões de carne Cada ferida berra por si, cada cicatriz ... AAAHHH Não mais ... eis chegado o final da viagem da luz e o EU quer voltar Para o profundo que estava pois é onde se sente em segurança Longe de tudo quanto possa existir para não mais sofrimento causar
Pedaços que são brutalmente arrancados e que me rasgam por dentro Deixando a pele exposta ao intenso calor da raiva dos outros Tento tornar os meus movimentos calculados e simples Procurando impedir que a dor tome conta do meu ser E me transforme, me leve rapidamente à loucura
As feridas que soltam sangue por momentos intemporais Descontroladamente, empurrando tudo no seu caminho Com uma força tal que outras feridas se abrem Crostas que insistem em sair, a cada passo, a cada respiro Provocando um grito mudo de dor que sai de uma boca aberta
Descubro o Anjo negro me envolve o coração No seu todo de existência divina abraçando a minha a Alma Num gesto subtil de compreensão falsa e escura Enterrando o pouco que vou sentindo no mais profundo do ser Onde não mais terei acesso pois não consigo chegar
E essa Tristeza que me deixa feliz pela sua força em resistir Mas que magoa por tudo quanto de bom me tira Deixando um vazio reconfortante de mais nada existir Alojada numa respiração explosiva de dor Onde não existe claridade e a vastidão do vazio é sem fim
O Amor que insiste voltar em investidas vorazes e avassaladoras Mas que perdura escondido por detrás de uma qualquer ferida Para onde volta subitamente, tão depressa quanto apareceu Levando todo o esforço cru que faço para evitar o seu retorno A acelerar a fuga arrastando tudo quanto apanha Até à escuridão de onde nasceu e esperou o seu momento Destruindo qualquer vontade de existir em felicidade
Esforços destruidores que vou fazendo para sobreviver Onde curo uma ferida que doí, e outras tantas se abrem Mais pedaços que são arrancados em força Que me rasgam por mim todo, levando o carinho Roubando a paciência e a compreensão Aos poucos vou ficando destruído por dentro e por fora E as forças vão desvanecendo numa revolta de tristeza Onde os pensamentos me lembram da solidão eterna Mesmo não sabendo o que é a eternidade
Pensamentos cíclicos que esta vida não merece ser vivida Mas nada mais posso fazer a não ser esperar ... Adormeço num sono consciente, de dor interminável Onde um pássaro negro me abraça nas suas enormes asas Num aconchego que parte todos os ossos e pede mais um grito Grito que não sai, que não se solta, que não existe E o cansaço acaba por vencer a dor, as forças evaporam E eu fecho os olhos pois já sei o que me espera ...
Eis que me dás a mão, a tua mão suave e linda Sussurras ao meu ouvido, que mal ouve, "estou aqui" Aconchegas as feridas com o calor da tua respiração Quase que consigo senti-las a curar instantaneamente Encostas a tua cara à minha, num toque de carinho Acompanhas o meu andar numa proximidade quase de fusão Transmitindo o calor e a serenidade do teu ser para o meu Adormecendo a minha dor nem que seja por segundos Dando descanso ao meu coração, à minha respiração Em abraços incondicionais num profundo silêncio Enches com um pouco da tua leveza a minha alma Acaricias as crostas em movimentos circundantes Chamas o Amor que se esconde atrás das feridas Baixinho dizes ... amor ... mas ele nem precisava disso Pois só pela tua proximidade ele apareceria espontaneamente
E o meu EU deixa-se ir, nesta panóplia de acontecimentos Sem pensar, sem analisar, sem ver, pois precisa de ar E mostra-se nu, sem medo, nem receios, nem preconceitos Precisa de voar, de se soltar do abraço do Anjo Negro Libertar-se destas feridas que consomem a Alma De acreditar que existe algo mais na vida, algo sem dor Algo de vivo que cresce, que provoca palpitações Que em formatos incondicionais existe só porque está vivo E vive só porque existindo tem toda a força do mundo
Sabes bem que o despertas, e as recompensas que terás Numa eterna gratidão independentemente do tempo Despertando todos os valores que falam mais alto Junto com o mais sincero sentimento de gratidão pela vida
O Sol na sua luz eterna volta a iluminar e a aquecer o ser Chamando a Lua para os acompanhar nesta nova caminhada Onde as estrelas brilham na sua maior intensidade Permites que o meu coração se una ao teu cheio de vida Mostras-me num sem fim de borboletas de todas as cores Que a vida é realmente bela e merece ser vivida como É E num abraço apertado dizes ... "vai ficar tudo bem"
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