
MORRE A PALAVRA E COM ELA O VERBO
Data 04/11/2008 17:52:27 | Tópico: Poemas -> Sociais
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Palavras assimétricas, morto o verbo, resta-me a fixa dureza, das esquinas.
Lá onde tudo é polido, aprumando prédios, filtrando pedintes e prostitutas, de hora.
Aqui sempre escasseia o sol e o sorriso, que quem aqui vive, não o sabe, tão pouco.
Não vive, sobrevive, resto de alguma coisa, amealhando sobras, que a cidade desprezou.
E a palavra vai no vão da virilha das escadas, conspurcando-se no fétido da ferida cutânea.
Entre doenças terminais, tossindo o asco, que logrou lugar, longe do olhar do Homem.
E assim chega a morte, descendo as esquinas e os degraus, trazendo por fim alguma paz.
E os meus dedos são ampolas de sangue, tingindo a vermelho vivo, minha insignificância.
Jorge Humberto 03/11/08
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