
ENTRE A GIESTA
Data 03/11/2008 17:36:11 | Tópico: Poemas
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Quando um leve raiar de sol aflora nas flores, fustigadas pelas últimas chuvas, reparo que, uma a uma, se vão desfolhando, cobrindo o chão de lágrimas, pisadas pelas crianças, em suas brincadeiras inocentes.
Mais ao longe um solfejo distraído, num canto qualquer, urde músicas, que vão ecoando por toda a cidade, e como o vento sobem às montanhas, impregnadas de neve e árvores nuas, lembrando que o Verão é um resquício.
Desaparecendo os jardins, despidos de sua beleza natural, para dar lugar à giesta Outonal e outros arbustos mais agressivos, cumpre-se o desígnio da época decorrente, entre riachos gelados, onde imperam as rochas puras.
Ainda atapetadas de vermelhos e de amarelos, percorrendo as ruas desnudas, de pessoas, animais, palavras e ensejos, pode-se contemplar as espaçadas vias coloridas, observando velhos pintores de circunstância, com quadros pelos joelhos.
Passeiam-se alguns casais, apetrechados de todo o tipo de roupa quente, mãos dadas, parando para observar as montras, e quem sabe assim esquecer o relutante frio, onde tudo parece caminhar mais devagar, como num sono persistente e entorpecido.
Mas há vida, sim, como em todas as épocas. Depressa as crianças arranjam trenós ou algo similar, e, é vê-las, correr neve abaixo, ou ainda reparar nos esquilos, descobrindo buracos, onde guardar suas provisões, de avelãs, que o tempo, não é para descuidos.
Jorge Humberto 02 /11 /08
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