
CIDADE DE PAPELÃO
Data 28/10/2008 16:50:25 | Tópico: Poemas -> Tristeza
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Estátuas, cheias de verdete, invadem as esquinas de meus olhos e as rosas, que morrem cerces, por entre jardins descuidados, ardendo instantaneamente.
Abundam os arbustos e árvores mortas, petrificadas pelo tempo, e, a poluição, desce as escadas da cidade, na humidade, corrompendo o papelão e a inanição diária.
Meu pássaro de papel, argonauta de meus sonhos, ficou-se a meio do caminho, entre pinheiros bêbados de azul, rios putrefactos, onde descem impunes, águas de esgoto.
Sem sonho algum, que lhes alimente a face, é aí, que vivem as pessoas, que subsistem, a toda a ignominia, debaixo de velhas pontes, a meio da sujidade, no alastrar das doenças.
Algumas pombas vão depenicando o chão, e, há uma certa normalidade, nisto tudo, menos as ratazanas, que roem os pés das pessoas, desprevenidas, enquanto dormem.
E prédios crescem, ao lado, indiferentes ao que se passa ao seu redor. Já lá vai o tempo da alvenaria, pois tudo é de cimento armado, ilustrado por imensas janelas, sem brio algum.
Virilhas esverdeadas, erupções cutâneas e outras enfermidades, marcam o compasso da cidade assimétrica, e, rostos amarelos, morrem todas as noites, ao piar da coruja.
Regresso ao mar, minha origem, e, é então, que me transmuto, qual cavalo ou galgo, em ondas, onde abunda a liberdade, e, aí, sou de novo a pureza das coisas, sua verdade.
Açoitado pelo vento, faço-me espuma e areia, e, solto meus cabelos, que vagam ao sabor do mar, misturando-se com as abundantes algas, salpicando todos quantos se acercam de mim.
Jorge Humberto 27/10/08
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